Trajetória (s)
Ele escutava mais uma vez, ainda mais uma vez, o Finale do Don Giovanni de Mozart...
Subitamente, na voz humana, algo que não obedecia a nenhuma convenção se fez escutar.
Ele não se recuperara da aparição daquela estrangeira que se lhe acontecia de uma nova maneira: o mundo finito da culpa apagava-se diante do apelo infinito do som trazido pelo silêncio que surgia do contínuo sonoro do grito de Don Juan.
No tempo de um relâmpago, uma outra trajetória o atravessara. Ele sorri dessa fugitiva: abandonando a mestria, determinou-se a encontrar um lugar: tornou-se psicólogo, depois doutor em medicina, depois especialista em psiquiatria. Contudo, será que experimentava algum gozo de seus títulos?
Esta pergunta fora a aposta duma psicanalista cuja colocação apareceu um dia na cena do teatro no momento em que o chiste lhe sussurrou no ouvido o poder criador da significância.
“Terá havido necessidade de um passador para ouvi-lo, Alain Didier-Weill”
Dioniso acabara de responder ao convite de Apolo, o barroco se unia ao clássico ultrapassado...
Este reconhecimento teve desdobramentos: Insistance era um movimento.
Jean Charmoille, setembro de 2006.
